Construtivismo e aprendizagem de um segundo idioma

Desde os anos 80, quando o Construtivismo começou a influenciar a educação nas escolas do Brasil, muito tem se discutido sobre a construção do conhecimento pelo aluno como agente ativo e participativo no processo da aprendizagem. Ao interagir com o ambiente e relacionar-se com as pessoas a seu redor, o aprendiz constrói suas hipóteses e conhecimento sobre o funcionamento dos elementos naquele contexto.

Essa teoria de desenvolvimento, proposta por Jean Piaget, baseia-se na premissa de que toda aprendizagem está diretamente associada a um processo de adaptação que ocorre em duas etapas complementares e interdependentes: a assimilação e a acomodação. A assimilação ocorre automaticamente assim que o aprendiz se depara com alguma nova informação ou conceito e percebe que esse estímulo é diferente do que ele já conhecia. Então, ele incorpora essa nova informação a seus esquemas cognitivos (schemata) previamente existentes. Já a acomodação pode ser um processo um pouco mais demorado e difícil, pois consiste na organização do novo dado junto ao conhecido previamente construído. Isso significa que pode haver conflito entre o que já estava arquivado no cérebro antes e a nova informação recebida ou, simplesmente, não haver relação alguma entre a nova informação e outras mais antigas.

No primeiro caso, o aprendiz pode demorar um certo tempo para conseguir reestruturar padrões cognitivos que acomodem o novo conhecimento. No segundo, ele precisa construir novas categorias cognitivas para acomodar a nova informação, o que também demanda tempo e pode ser conflituoso. A ideia de construtivismo na educação, então, parte do princípio que o novo conhecimento é construído a partir de conhecimento anterior, onde novos esquemas cognitivos são estabelecidos, a partir de antigos esquemas.

Mas, o que isso tem a ver com a aprendizagem de um segundo idioma?

Quando falamos em construtivismo e a aprendizagem de um segundo idioma, estamos falando da construção do conhecimento da segunda língua a partir do que a criança já sabe na primeira. Assim, a primeira língua é um importante suporte para que o indivíduo construa conhecimento sobre a segunda. O indivíduo, quando exposto a um novo idioma, passa pelo processo de adaptação descrito por Piaget, no qual primeiramente ele percebe que aquela nova língua é diferente da que ele conhecia anteriormente e assimila essa informação; depois, ele encontra uma maneira de organizar esse dado internamente junto a esquemas prévios, ou precisa construir novos.

Assim, a criança, em um ambiente bilíngue, vai construir conhecimento sobre o novo idioma a partir do que ele for exposto no contexto (escola, casa, comunidade etc.) em que essa aprendizagem ocorrer e através de novas experiências proporcionadas, utilizando como base o que ela já sabe no outro idioma. O tempo que cada aprendiz leva para se adaptar a uma nova língua pode variar significantemente pois depende, em grande parte, dos processos internos de assimilação e acomodação.

Como você pode ajudar?

Você pode ajudar a criança no processo de adaptação a um novo idioma proporcionando atividades e vivências significativas e que sejam do interesse dela. Assim, fica mais fácil para ela fazer uma ponte entre o que já sabe e o novo conhecimento ao qual está sendo exposta. Caso a nova informação introduzida para o aprendiz não tenha relação com nada que ele já conhece, você pode ajudá-lo ao promover experiências complementares que façam essa ponte. Por exemplo, ao introduzir um segundo idioma na rotina de uma criança, ela inicialmente se dará conta de que aquela língua é nova, tratando-se, portanto, de um novo conhecimento (assimilação).

Aos poucos, ela vai tentando organizar esta informação dentro de sistemas de conhecimento (schemata) previamente existentes (acomodação). Por isso, de preferência, trabalhe no segundo idioma com assuntos que ela já conhece no primeiro. Neste momento, se você introduzir conceitos complexos, utilizar um vocabulário difícil e falar sobre assuntos elaborados com o aprendiz iniciante, vai acabar contribuindo para que o processo de aprendizagem seja mais lento e complicado, pois a criança vai precisar de muito mais tempo para organizar e entender todas essas novas informações. No entanto, se você introduzir aos poucos um novo conceito, começando com ideias básicas e palavras simples, promovendo experiências reais das quais o aprendiz participa ativamente, você ajudará na construção do conhecimento sobre a língua. Assim, o conhecimento construído, por ser mais significativo do que o conhecimento simplesmente ensinado, e por estar profundamente conectado a esquemas cognitivos anteriores, terá efeitos mais duradouros e será acomodado pelo indivíduo com muito mais naturalidade.

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By |2018-11-23T13:15:46+00:00abril 15th, 2016|Fundamentos, Orientações|0 Comentários

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